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O Papa Incomodado com o Crescimento da Igreja

segunda-feira, maio 14, 2007

“É estranha a idéia de uma igreja que não faça proselitismo (busca de fiéis pelo convencimento). Se ele deseja que a Igreja Católica não o faça, é uma novidade para mim”, afirmou o teólogo e filósofo Mario Sergio Cortella, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),rebatendo as palavras do Papa Bento XVI durante a missa realizada em Aparecida ontem, dia 13 de maio.

Diante de 150 mil, público abaixo do esperado, Bento XVI disse que "a Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por 'atração' ". Essa idéia foi repetida algumas vezes durante a visita do papa ao Brasil. Seitas cristãs foram mencionadas e criticadas pelo líder da Igreja Católica quanto à abordagem "agressiva" na busca de novos fiéis.

A citação ao proselitismo - busca pela conversão de fiéis de outras religiões - já havia sido feita pelo Papa no encontro com os bispos na Catedral da Sé, em São Paulo, na sexta-feira.

Na inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam), o Papa Bento XVI mais uma vez quis contrastar a Igreja Católica e a sua busca de fiéis no continente e afirmou que o maior tesouro da Igreja Católica no continente é a "fé no Deus Amor", e não "uma ideologia política, nem um movimento social, e tampouco um sistema econômico; é a fé no Deus Amor", disse.


É assim que o Papa Bento XVI espera estancar a constante perda de fiéis da Igreja que vem ocorrendo na região. Hoje, apenas dois terços dos brasileiros se consideram católicos.

1 comentários:

vanderly disse...

Leonardo Boff (Teólogo Católico) comenta o crescimento das novas igrejas no Brasil:
fonte: www.leonardoboff.com
Como o senhor vê a emergência das igrejas carismáticas populares
no Brasil?

R. Não considero tal fato nenhuma tragédia. Como luto pela biodiversidade e a aprecio, aprecio também a diversidade religiosa e eclesial. A Deus ninguém viu e Ele habita numa luz inacessível como dizem as Escrituras judaico-cristãs. Então ninguém detém um saber exclusivo dele, como se a cada momento tivesse uma entrevista particular com Ele. A Ele chegamos por via dos símbolos, das metáforas,dos ritos, das celebrações, das danças, da música e das artes. Cada caminho religioso e espiritual revela algo de Deus e Deus mesmo através destes caminhos visita os seus. A mesma coisa vale para as Igrejas. Todas elas são portadores, com maior ou menor fidelidade, da herança de Jesus. Ninguém pode pretender ter tudo de Jesus. Nem pensaram assim os Apóstolos e Evangelistas que escreveram não um mas quatro evangelhos e São João no final do seu diz que se quisesse dizer tudo sobre Jesus o mundo seria pequeno para conter todos os livros. Portanto, não há que se espantar de que haja várias Igrejas. A Igreja Católica possui uma pretensão fundamentalista de ela ser a única herdeira legítima de Jesus. É sua ilusão. Aliás há outras Igrejas católicas que não são a romana como a siríaca, a copta e outras, além da Igreja Ortodoxa grega e russa. Todas elas, por exemplo, não possuem a lei do celibato e nem por isso deixam de ser fiéis ao legado de Jesus. O povo brasileiro é singular, pois é um povo religioso e místico. Ele não precisa crer em Deus. Sabe que Ele existe e o acompanha em toda a sua vida. Crê que no caminho para Deus podemos somar muitas coisas, assumir alementos de outras religiões, dos afro-desdendentes, dos índios, dos protestantes, dos espíritas e dos católicos. Tudo termina em Deus. O povo não é dogmático nem fundamentalista, mas percebe Deus em todas estas manifestações. Desta mística lhe vêm a alegria de viver no meio de tanta miséria e guarda o sentido lúdico que se manifesta no carnaval. Ocorre que as igrejas carismáticas populares atendem as classes mais marginalizadas, aquelas as quais ninguém dá valor e que são consideradas zeros econômicos. Seus fiéis estão cheios de necessidades materiais e ao mesmo tempo têm fome de Deus. Estas igrejas descobriram uma linguagem, que podemos discutir e até criticar, de falar ao profundo destas pessoas e de devolver-lhes auto-estima e sentido de pertença. Sentem-se irmãos e irmãs e amados de Deus. Com isso ganham força para sobreviver e resistir à terrível opressão social pela qual passam. Recuso-me criticar estas igrejas, com receio de que tiremos o último galhinho, o derradeiro apoio que dá sentido a suas vidas. Mas desejaria que elas introduzissem os temas do trabalho comunitário, da dignidade humana e dos direitos dos cidadõs. Elas são ainda muito milagreiras e para os destituidos anunciam o evangelho da prosperidade.